Детоксикатор микотоксина

TOXICOCINÉTICA DAS MICOTOXINAS EM SUÍNOS

Introdução

       A toxicocinética das micotoxinas inclui as fases de absorção, distribuição, metabolismo e excreção (ADME), ou seja, abrange todas as etapas desde a entrada da toxina no organismo até sua metabolização e eliminação por meio da excreção. Esses processos variam de acordo com o tipo de micotoxina e com espécie animal exposta. No caso dos suínos, seus efeitos também variam conforme as diferentes fases produtivas. Por outro lado, existe o conceito de carry-over, que se refere à transferência de micotoxinas da ração contaminada consumida pelos animais para os produtos de origem animal destinados ao consumo humano, o que representa um risco para a saúde pública.

Aflatoxinas

       As aflatoxinas são absorvidas principalmente no intestino, mais especificamente na região do duodeno. Trata-se de uma família de micotoxinas de baixo peso molecular e natureza lipofílica, características que contribuem para uma absorção oral eficiente, atingindo índices de aproximadamente 90% (Schrenk et al., 2020a).

       As aflatoxinas são amplamente distribuídas pelo organismo, alcançando o trato gastrointestinal, o fígado e os rins. Em particular, o principal órgão-alvo dessas substâncias é o fígado. Por isso, a exposição prolongada a essas micotoxinas pode levar ao desenvolvimento de lesões, como o carcinoma hepatocelulare (Schrenk et al., 2020a).

       As aflatoxinas são metabolizadas no fígado, gerando diferentes metabólitos, entre os quais se destaca o AFB1-8,9-epóxido (AFBO). Trata-se de um metabólito da aflatoxina B1 formado pela ação do citocromo P450, sendo mais tóxico do que a micotoxina original. Outros produtos da biotransformação dessas micotoxinas incluem AFM1, AFQ1 e aflatoxicol (Coppock et al., 2018).

       Quanto à eliminação, sabe-se que o metabolismo suíno não é eficiente na desintoxicação e excreção das aflatoxinas, tornando esses animais mais suscetíveis à aflatoxicose. A eliminação ocorre principalmente pela via biliar, seguida da via urinária, de forma lenta e limitada. Foi relatado que cerca de 20% dessas substâncias são eliminadas pela via urinária nos nove dias seguintes à exposição (Popescu et al., 2022).

       Essas micotoxinas também apresentam carry-over; de fato, foram detectadas tanto na carne quanto no leite. As aflatoxinas e seus metabólitos podem chegar à cadeia alimentar humana, além de serem transferidas aos leitões durante o período de lactação (Popescu et al., 2022; Lee et al., 2017).

Deoxinivalenol

       Em suínos, o DON é rapidamente absorvido após a ingestão de ração contaminada, em um período aproximado de 1 a 3 horas (Sun et al., 2022). Dependendo da fase produtiva do animal, a taxa de absorção varia, sendo considerada, de modo geral, uma alta biodisponibilidade entre 50% e 100% na espécie suína (Schelstraete et al., 2020; Dänicke et al., 2013).

       Essa micotoxina se distribui de forma rápida e ampla, atingindo o soro sanguíneo, os músculos, a gordura abdominal, o estômago, o intestino, o fígado, os rins, o coração, o cérebro, os pulmões, a pele, o baço, os testículos, os ovários e as glândulas suprarrenais (Lin et al., 2025). Trata-se de uma distribuição transitória, uma vez que o DON atinge esses tecidos, mas não se acumula neles (Dersjant-Li et al., 2003).

       O DON é metabolizado por duas vias principais: a conjugação e a desepoxidação. Na espécie suína, a conjugação com o ácido glicurônico é a reação mais frequente, dando origem a metabólitos como DON-3-GlcA e DON-15-GlcA. Por outro lado, a biotransformação do DON em DOM-1 é controversa, uma vez que alguns suínos são incapazes de realizá-la por ausência de microbiota intestinal desepoxidante (Sun et al., 2022).

       A excreção urinária representa entre 90% e 95% da excreção total de DON em suínos (Dänicke et al., 2013). Considera-se que menos de 5% dessa micotoxina e de metabólitos são excretados pelas fezes nessa espécie (Schelstraete et al., 2020). Por outro lado, a meia-vida de eliminação dessa substância é de 1,5 a 5 horas, o que é considerado um tempo de depuração relativamente longo, tornando os suínos suscetíveis aos seus efeitos (Sun et al., 2022).

       Apesar de ser a espécie suína que apresenta a maior biodisponibilidade sistêmica do DON, seu carry-over em tecidos como músculo ou gordura mal foi determinado (Schelstraete et al., 2020; Dänicke et al., 2013). No entanto, assim como no caso das aflatoxinas, tanto o DON quanto seus metabólitos foram detectados no colostro e no leite de porcas lactantes (Benthem de Grave et al., 2021). Além disso, foi constatada a transmissão dessas substâncias aos leitões através da placenta durante a gestação (Sayyari et al., 2018; Dänicke et al., 2007).

Zearalenona

       Estima-se que a taxa de absorção da ZEA em suínos seja de 80% a 85%, embora sua biodisponibilidade possa ser menor em animais mais jovens (Liu et al., 2020; Catteuw et al., 2019). Sua absorção é rápida, de modo que a ZEA e seus metabólitos podem ser detectados no plasma 30 minutos após a ingestão de alimento contaminado (Tmáx) (Lin et al., 2025).

       Após a absorção, a ZEA e seus metabólitos se distribuem e podem ser detectados no fígado, na bile, no plasma, na urina e nas fezes (Liu et al., 2020). Por outro lado, o sistema mais afetado por essa micotoxina é o trato reprodutivo, sendo as fêmeas o grupo mais suscetível (Rai et al., 2020).

       Em suínos, os principais metabólitos são os conjugados glucuronídeos da ZEA e o α-zearalenol (α-ZEL), sendo este último o predominante (Liu et al., 2020). Esse metabólito apresenta maior afinidade pelos receptores de estrogênio do que os demais metabólitos, o que justifica a elevada sensibilidade da espécie suína aos efeitos patológicos da ZEA (Schelstraete et al., 2020).

       A principal via de excreção dessa micotoxina em suínos é a via urinária, pela qual é eliminada uma quantidade aproximadamente duas vezes maior do que eliminada pelas fezes (Liu et al., 2020). Após a exposição oral à ZEA, entre 14% e 45% da micotoxina é detectada na urina, tanto na sua forma original quanto na forma metabolizada (Schelstraete et al., 2020). A meia-vida de eliminação dessa micotoxina em suínos é considerada muito variável, com tempos registrados entre 2,63 e 86,6 horas (Catteuw et al., 2019).

       Além disso, foi detectado o carry-over dessa micotoxina na carne e no leite. Tanto a ZEA quanto seus metabólitos foram detectados no músculo e em diferentes órgãos desses animais, o que constitui um risco para a saúde pública. Também foi registrada a transferência para os leitões durante o período de lactação (Benthem de Grave et al., 2021; Liu et al., 2020).

Ocratoxina A

       A OTA é rapidamente absorvida e apresenta elevada biodisponibilidade em suínos, com níveis observados de até 66% (Tolosa et al., 2021). Algumas horas após a ingestão, essa micotoxina já pode ser detectada no sangue, a partir do qual será distribuída pelo sistema porta (Schrenk et al., 2020b; Ringot et al., 2006).

       Nos suínos, sua distribuição é ampla, atingindo o fígado, os rins, os músculos e a gordura. Essa micotoxina apresenta alta afinidade pelas proteínas plasmáticas, especificamente pela albumina; determinou-se que apenas 0,1% da OTA permanece livre após sua entrada no organismo (Ringot et al., 2006). Essa característica, juntamente com sua lenta metabolização, faz com que a OTA apresente uma longa meiavida (Hagelberg et al., 1989).

       O principal metabólito da OTA em suínos é o OTα, gerado pela microbiota intestinal em animais não ruminantes. A via metabólica mais importante é a hidrólise da OTA para formar OTα, seguida de sua conjugação com o ácido glicurônico. Esse metabólito é parcialmente absorvido no intestino e excretado rapidamente na urina, uma vez que não se acumula nos rins (Schrenk et al., 2020b).

       No entanto, a excreção da OTA é complexa, sendo eliminada lentamente pela via urinária, por períodos superiores a 5 dias (Schrenk et al., 2020b). Trata-se de uma micotoxina que se acumula no tecido renal, sendo os suínos uma das espécies mais sensíveis aos efeitos nefrotóxicos que ela provoca (EFSA, 2006).

       Essa micotoxina apresenta carry-over em vários tecidos animais, tendo sido detectada em diferentes produtos cárneos de origem suína (Ganesan et al., 2022; Tolosa et al., 2021). Além disso, pode ser transferida para o feto durante a gestação pela via placentária (Ringot et al., 2006).

Fumonisinas

       As fumonisinas apresentam baixa absorção em suínos, variando entre 3% e 5% (Knutsen et al., 2018; Prelusky et al., 1994). Após 30 a 40 minutos da ingestão de alimento contaminado, essas substâncias podem ser detectadas no sangue, atingindo a concentração plasmática máxima (Tmáx) entre 60 e 90 minutos (Schertz et al., 2018).

       Essas micotoxinas se distribuem rapidamente pelos diferentes tecidos, atingindo o intestino, o fígado, o pâncreas e os rins; sua meia-vida no sangue é inferior a 4 horas (Knutsen et al., 2018). Por outro lado, a presença das fumonisinas altera a razão esfinganina/esfingosina (Sa/So) nos animais, devido à sua semelhança estrutural com a esfingosina e à inibição da enzima ceramida sintase (Schertz et al., 2018).

       Em mamíferos, o metabolismo da fumonisina B1 é atribuído a uma única via metabólica. Trata-se da hidrólise de suas cadeias laterais, originando metabólitos como HFB e pHFB (Schelstraete et al., 2020; Knutsen et al., 2018). Portanto, trata-se de uma micotoxina pouco metabolizada (Schertz et al., 2018).

       Grande parte das fumonisinas é eliminada por excreção biliar, sem biotransformação. Sua excreção ocorre predominantemente pelas fezes (até 90%) e, em quantidade muito reduzida, pela via urinária. Esse processo ocorre lentamente (Knutsen et al., 2018).

       Foi detectado o carry-over desse grupo de micotoxinas em diferentes tecidos, em casos de exposição prolongada a dietas contaminadas (Dersjant-Li et al., 2003). Além disso, há indícios da transferência da fumonisina B1 para o leite de porcas expostas e, consequentemente, para os leitões (Zomborszky-Kovács et al., 2000).

Toxina T-2

       A toxina T-2 pode ser rapidamente absorvida tanto por via oral quanto por inalação (Schuhmacher et al., 2010). No entanto, essa micotoxina apresenta baixa biodisponibilidade oral (Sokolović et al., 2008).

       Tanto a toxina T-2 quanto seus metabólitos se distribuem de forma rápida e ampla no organismo, chegando principalmente ao fígado, aos rins e ao intestino delgado. Além disso, essas substâncias atingem outros tecidos, como o tecido adiposo, onde apresentam maior tempo de eliminação (Yong-xue et al., 2012).

       Essa micotoxina é rapidamente metabolizada, gerando uma grande variedade de metabólitos, entre os quais se destaca a toxina HT-2, formada a partir de processos de hidrólise (CONTAM, 2011).

       A T-2 e seus metabólitos são eliminados rapidamente pela via urinária, enquanto apenas uma pequena quantidade é excretada pelas fezes (Yong-xue et al., 2012; Schuhmacher et al., 2010). Por esse motivo, o estudo da distribuição e eliminação dessa micotoxina é complexo devido à sua rápida excreção (Schuhmacher et al., 2010). Estima-se um tempo médio de eliminação de 90 minutos (CONTAM, 2011).

       Em relação ao carry-over, até o momento não foi detectada a micotoxina em produtos da cadeia alimentar. Isso se deve ao fato de que nem a toxina T-2 nem seus metabólitos apresentam acúmulo significativo nos tecidos (Kalantari et al., 2010; Schuhmacher et al., 2010).

Conclusão

Nos últimos anos, o número de estudos sobre a toxicocinética das micotoxinas tem aumentado progressivamente, fornecendo informações fundamentais para compreender sua passagem pelo organismo dos animais e, com isso, seus efeitos prejudiciais na produção animal. No entanto, ainda há muitos aspectos que precisamos continuar investigando para compreender a ação dessas substâncias nos suínos e poder estabelecer estratégias eficazes para sua mitigação.

Micotoxinas en alimentos para animales
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