Детоксикатор микотоксина

Efeitos das micotoxinas modificadas em suínos

Introdução

       As micotoxinas são metabólitos fúngicos que representam um risco significativo na alimentação animal. Entre as espécies de gado, os suínos são os mais suscetíveis aos efeitos adversos dessas toxinas, que são classificadas como micotoxinas prevalentes, emergentes e modificadas.

       As micotoxinas modificadas são formas quimicamente ou biologicamente alteradas da micotoxina de origem (micotoxina-mãe), ou seja, da micotoxina produzida diretamente pelo fungo (Lorenz et al., 2019). São metabólitos secundários formados por fungos, plantas ou animais que, como mecanismo de defesa, desintoxicação ou metabolismo, modificam quimicamente sua estrutura original. Embora a toxicidade dessas formas modificadas varie, essas micotoxinas representam um risco oculto, seja por sua própria toxicidade, seja por sua capacidade de regenerar a micotoxina-mãe da qual se originam (Nešić et al., 2023; Lorenz et al., 2019).

       A relevância toxicológica dessas formas modificadas em suínos reside em seu destino metabólico: frequentemente, o grupo polar do conjugado é clivado (hidrolisado) no trato intestinal, liberando a micotoxina original (Nešić et al., 2023). Esse processo pode levar à subestimação da exposição, uma vez que as micotoxinas modificadas geralmente não são incluídas nas análises de rotina e, ainda assim, contribuem para a exposição tóxica total do animal (Binder et al., 2017). Assim como ocorre com as micotoxinas emergentes, é fundamental avaliar essas formas modificadas para obter uma avaliação completa do risco.

Micotoxinas modificadas da zearalenona

       A zearalenona (ZEA) é uma micotoxina macrocíclica conhecida por seu potente efeito estrogênico (Binder et al., 2017; Pierzgalski et al., 2021). Os suínos são altamente sensíveis à exposição à ZEA, pois a biotransformam principalmente em α-zearalenol (α-ZEL), um metabólito com atividade estrogênica significativamente maior do que a apresentada pela micotoxina de origem (Tkaczyk e Jedziniak, 2021; Pierzgalski et al., 2021). De fato, a EFSA atribuiu ao α-ZEL um Fator de Potência Relativa (FPR) de 60, indicando que esse metabólito apresenta atividade estrogênica 60 vezes superior à da ZEA (Lorenz et al., 2019; Pierzgalski et al., 2021). Essa elevada potência torna especialmente crítica a estimativa correta da exposição dos suínos.

       A toxicidade do α-ZEL vai além de sua ação estrogênica. Além disso, esse metabólito é capaz de modificar o DNA por meio da alteração dos padrões de metilação e da acetilação de histonas nas células (Pierzgalski et al., 2021). Esse mecanismo epigenético pode alterar a expressão gênica de vias biológicas essenciais, sugerindo que o α-ZEL pode contribuir para o desenvolvimento de doenças metabólicas em suínos.

       Em estudos in vivo com leitões, demonstrou-se que três formas modificadas da ZEA são completamente hidrolisadas no trato gastrointestinal: os metabólitos vegetais ZEA-14-O-β-glicosídeo (ZEA-14-Glc) e ZEA-16-O-β-glicosídeo (ZEA-16-Glc), bem como o metabólito fúngico ZEA-14-sulfato (ZEA-14-S) (Binder et al., 2017; Lorenz et al., 2019). A ausência dessas formas intactas na urina e nas fezes após sua administração oral confirma sua rápida hidrólise (Binder et al., 2017). Em razão dessa hidrólise completa, a EFSA reconheceu que ZEA-14-Glc, ZEA-16-Glc e ZEA-14-S devem ser considerados na avaliação de risco, sugerindo que a soma da ZEA e de seus metabólitos naturais seja estabelecida como um valor-guia ou limite máximo para o grupo, a fim de proteger a saúde animal (Binder et al., 2017; Lorenz et al., 2019). A relevância clínica das formas modificadas da ZEA ficou claramente evidenciada em um caso de campo no qual leitões lactentes apresentaram hiperestrogenismo, com vulvas edemaciadas e avermelhadas, além da síndrome do splay leg, após as porcas consumirem feno contendo uma concentração de ZEA-14-S (530 μg/kg) superior à de ZEA (479 μg/kg). Concluiu-se que essa forma modificada contribuiu para a carga total de ZEA nos animais, confirmando seu papel como precursora da toxicidade clínica (Henning-Pauka et al., 2018).

Micotoxinas modificadas do deoxinivalenol

       No que diz respeito ao deoxinivalenol (DON), também existem formas modificadas de alta prevalência. O DON-3-β-D-glicosídeo (DON-3G), um conjugado de origem vegetal, é eficientemente hidrolisado no trato gastrointestinal dos suínos, liberando DON e, consequentemente, contribuindo para a exposição total (Pierzgalski et al., 2021; Tkaczyk e Jedziniak, 2021). Da mesma forma, os derivados acetilados do DON (3-AcDON e 15-AcDON) são metabólitos fúngicos hidrolisados no intestino, liberando DON, e são considerados as formas modificadas mais tóxicas do DON (Pierzgalski et al., 2021; Tkaczyk e Jedziniak, 2021). Por outro lado, o de-epoxi-DON (DOM-1) é um metabólito microbiano que apresenta toxicidade significativamente reduzida em leitões, não induzindo vômitos nem alterações patológicas no fígado ou no intestino após administração por via oral (Pierzgalski et al., 2021).

Biomonitoramento de micotoxinas modificadas em suínos

       Devido à natureza “mascarada” dessas micotoxinas e à sua distribuição heterogênea na ração, a forma mais precisa de avaliar a exposição individual e a toxicocinética em suínos é por meio do biomonitoramento de metabólitos em matrizes biológicas (Tkaczyk e Jedziniak, 2021). Para a ZEA, o metabólito α-ZEL na urina constitui um biomarcador adequado de exposição, apresentando uma correlação linear positiva entre dose e resposta (Tkaczyk e Jedziniak, 2021; Binder et al., 2017). Para o DON, o metabólito DOM-1 na urina também constitui um biomarcador confiável de exposição, apresentando igualmente uma relação linear positiva entre a dose e a resposta (Tkaczyk e Jedziniak, 2021).

       É importante destacar que os glicuronídeos e outros conjugados, como o α-ZEL-14-GlcA, frequentemente requerem digestão enzimática (com β-glicuronidase) das amostras biológicas para serem quantificados, uma vez que não existem padrões analíticos disponíveis para a quantificação direta de muitos desses conjugados (Tkaczyk e Jedziniak, 2021; Lorenz et al., 2019).

Conclusão

A pesquisa toxicológica sobre micotoxinas em suínos destaca que as micotoxinas modificadas são precursores tóxicos ativos que aumentam significativamente os níveis de risco aos quais os animais estão expostos. Portanto, para uma gestão eficaz da saúde suína, é imprescindível que as avaliações de risco incluam a quantificação dessas formas modificadas e o monitoramento de biomarcadores-chave, como α-ZEL e DOM-1 (Tkaczyk e Jedziniak, 2021).

Apesar das evidências que confirmam sua toxicidade, há necessidade urgente de mais pesquisas para a obtenção de dados toxicológicos específicos sobre os efeitos e a cinética dessas micotoxinas modificadas na suinocultura. Uma base de dados mais robusta e completa é essencial para estabelecer limites de segurança mais precisos e aprimorar as estratégias de prevenção e mitigação na produção suinícola.

Micotoxinas en alimentos para animales
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